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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Quando o amor acaba

Via-o partir, sentindo que nada podia fazer. Lana ficou ali parada, o coração partido e a alma entregue à melancolia.
            Todos os anos que ela passou apaixonada por Renato pareciam agora terem sido em vão. Foram tantas as dificuldades para ficarem juntos... O pai dela achava que o rapaz não era bom o suficiente para a filha. Em outro momento mandaram-no estudar e fora o que fez com que ficassem sem se ver durante dois anos. Nem mesmo isso acabou com o amor deles. Houve muitos motivos, mas nenhum como aquele que viviam naquele momento, parecendo realmente terem chegado ao final de sua história juntos.
            Ao virar a esquina Renato nem mesmo olhou para trás e acenou por uma última vez. Lana não conteve as lágrimas estava transtornada com aquela situação inesperada.
            Na manhã do dia anterior Renato chegou a casa dela muito cedo. Parecia muito ansioso, incomodado. Ao ser questionado por Lana, segurou-a pelos ombros, olhou bem em seus olhos e quando parecia determinado a dizer-lhe o que o atormentava a mãe dela adentrou pela cozinha. Deu bom dia a Renato, bebeu um copo de água e voltou ao seu quarto. Isso foi o suficiente para que ele perdesse a coragem e permanecesse calado. Lana sentiu-se mal e sentou. Podia pressentir que algo de mal estava por vir.
            Agora, ao lembrar-se da manhã seguinte, quando aquele pequeno momento de pânico parecia a pior sensação do mundo, o fato não parecia mais ter a mesma importância. O vazio que estava sentindo era algo que não estava preparada para sentir. Renato havia deixado de amá-la. Ele disse isso a ela. Simplesmente não a queria mais. Aquele imenso amor que por tantos anos havia sentido havia acabado. Existia agora no coração dele um novo amor. Talvez ela mesma houvesse deixado a porta do coração de Renato aberta sem mesmo se dar conta disso.
            Nos meses seguintes, a dor da rejeição consumia-lhe os dias e tirava-lhe as noites tranquilas. A ausência de esperança, por dar o caso como vencido, tornavam ainda mais insuportáveis as horas. Ele não a amava mais e nada se pode fazer quando o amor chega ao final.


Shirlei Marcelino

terça-feira, 23 de agosto de 2011

A história de João

Lá longe, onde a vista se perde
É lá que vivia João.
João era filho da terra
Batia forte o seu coração.

João trabalhava na lavoura
Com o pai, a mãe e o irmão
Nos dias de sol e de chuva,
Trabalhava a família de João.

Ele não tinha tempo para estudar
O que vinha de livros não conhecia
Mas de cuidar da terra,
Isto ele bem entendia.

Mas quando ele ia à cidade,
Sentia uma grande falta
De saber o que vem dos livros...
Pois tudo ao seu redor ficava
Com formas que não compreendia.

Os papéis dados pelo doutor,
Ele também não podia decifrar.
Pedia pra Lurdes lá da farmácia,
Que tinha estudo e podia ajudar.

Oh, mas pobre Lurdes
Quando o assunto era da terra!
Precisava de João pra ensinar.

E assim passou o tempo,
Cada um com seu destino...

Um dia João foi à escola,
Mas então uma cobra
Encontrou pelo caminho.

João morreu sem ler,
Lurdes morreu sem arar.
O pobre morreu feliz,
Morreu tentando lutar.




Shirlei Marcelino

terça-feira, 8 de março de 2011

Sobre a realidade

Qual o sentido da realidade?
Será que ela é mesmo de verdade?
Ou fruto do que conhecemos
Ou fruto do nosso entendimento
De tudo aquilo que aprendemos?

Como definir a certeza
Que pode ser fruto da ilusão
Como saber como o outro enxerga?

Qual o limite do certo
Como limitar a firmeza
Como distinguir a certeza?

Quem é o dono da verdade?
Quem define toda a realidade?
Quem escolhe em que devemos acreditar


Shirlei Marcelino







Superação

Pior do que não ter aonde ir
É não ter aonde voltar
É triste saber quando não temos
Um abraço a nos esperar

Sentir falta do que não tivemos
Sentir falta do que não vivemos
E sentir em nosso peito
O quanto com isso sofremos...

Será que um novo início
Poderá existir?
Será que um dia finalmente
Teremos aonde ir?

Sim, se um pequenino abraço
Surgir em meio a tanta tristeza
Aquele leve e puro abraço
Que tranquiliza até as incertezas

Então em nosso peito
Aquela dor que tanto sofrimento trazia
Será então passado
E que o filho então sorria!

Shirlei Marcelino

Momentos que já passaram

Doces sonhos da idade
Que um dia ela permitia
Que um dia ela me iludia.

Doces sonhos que se foram
Com a fúria do tempo
De quem viveu o momento
Que não volta nunca mais.

Belos tempos que se foram
Doces lembranças na mente
Sentimentos que não voltam
Certezas que se foram.

Nenhum deles é eterno
São momentos apenas
Sentimentos profundos
Suspiros imensos
Suspensos no ar...

Shirlei Marcelino

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Há cor nos filhos do mundo

Retirados de sua terra
Trazidos em sofrimento
Trabalharam sol a sol
Viveram a dor e o medo.

Ergueram essa nação
Com seu suor e seu sangue,
Sua coragem diante do medo
Trancados a pão e água,
Viveram os seus tormentos.

Negros fortes, negras bonitas...
Negras fortes, negros bonitos...
Ainda hoje sofrem
Com a dor da ignorância.                     
Num mundo vasto de cores,
Há quem ache o branco ideal.

Oh mundo, grandioso mundo...
Como isso foi acontecer?
És tão cheio de cores
Quem uma só cor pôde eleger?

Quem pode ter o direito
De ser dono das cores do mundo?
Escolher qual a mais perfeita,
Excluir as que não lhes convém?

Já são séculos de luta
Seus corpos já libertaram
Dê-lhes agora a liberdade da alma
Libertem a sua cor!

Shirlei Marcelino

Terceiro lugar (autor) No Concurso de Poesias “Zumbi dos Palmares” 2010,
 Pouso Alegre